terça-feira, 19 de julho de 2011
Seria
Eu e você, daqui a alguns anos, morando juntos. Não precisaríamos ser namorados, nem casados, nem nada disso. Apenas amigos. E nós seriamos felizes, eu e você. Fotos de nós dois estariam espalhadas pela casa. Fotos suas no meu quarto, fotos minhas no seu quarto. Mas nós dormiríamos juntos. Pelo simples fato de eu te querer por perto, e você me querer também. Pelo simples fato do seu quarto estar bagunçado de mais e a minha cama ser perfeita para nós dois. Eu teria medo do escuro, sem você. E eu andaria apenas com roupas íntimas, e você fingiria não se importar. E eu fingiria acreditar. Eu fugiria de você, correndo pela casa, rindo, com o controle da televisão, só pra você não mudar o canal. E você me pegaria, e ficaríamos abraçados até o silêncio nos constranger. Nossos sábados a noite seriam nostálgicos, olharíamos todos tipos de filme, atiraríamos pipocas um no outro e pediríamos uma pizza. Nostálgicos e perfeitos, porque depois dormiríamos abraçados, no sofá da sala, ao som da melodia dos créditos de um filme de romance em que eu choraria do começo ao fim, e você riria de mim e comigo. Iríamos ao supermercado uma vez por mês, comprar as mais diversas porcarias. E não nos faltaria nada. Você não se importaria com as minhas roupas espalhadas pela casa e pelo seu quarto. Eu não me importaria com a sua bagunça diária, nem com a sua toalha de banho atirada pelos cantos. Nos domingos a tarde, ficaríamos na sacada do nosso apartamentinho no 3º andar, tomando aquele nosso suco de sempre e cantando músicas velhas. Olharíamos as pessoas lá em baixo, casais apaixonados, e ficaríamos em silêncio, perdidos nos nossos próprios pensamentos. Suas amigas viriam te visitar, e eu choraria em silêncio, no escuro do meu quarto. Até elas irem embora e você ir dormir comigo, e perguntar se chorei. Eu negaria. Você acreditaria. Me acordaria no meio da noite, para contar um sonho que teve. E nós riríamos juntos. Me acordaria com café na cama, ou com uma rosa roubada do jardim da casa vizinha. Eu deixaria um recado sutil de amor na porta da geladeira antes de sair na segunda de manhã para visitar meus pais. Poderíamos até ter um cachorro. Poderíamos, juntos, levar ele para passear. E você decidiria pintar a casa, e ela ficaria vazia, apenas com nós dois e nosso cachorro. Deitaríamos no chão, e eu perguntaria em que você estaria pensando. Você mentiria e me perguntava o mesmo. Eu mentiria. Eu iria para a universidade todo dia de manhã, enquanto você ia para seu trabalho de meio turno em uma empresa de sucesso. Você me amaria, em silêncio. Eu também te amaria, em silêncio. Em alguns anos, eu estaria me formando em letras, e você estaria no topo da carreira naquela mesma empresa. E você me levaria pra jantar e me pediria em casamento. Eu aceitaria. E seria uma linda história de amor, apenas seria.
É algo que tem o poder de transformar o dia, a noite ou a vida inteira de uma pessoa. Podem até ser doces, mas se ditas de má fé criam uma avalanche de sensações e marcas que podem levar uma vida inteira para cicatrizar. Podem ser rudes, mas ditas com uma certa doçura acalentam a alma. Palavras. Você pode esquecer a cor da roupa de uma pessoa, o tamanho do cabelo ou do nariz. Esquece qual o perfume que ele usava, se tinha dentes de um lado da boca ou não. Pode ser que no momento você reparou no fio de cabelo que estava fora do lugar e não conseguiu se concentrar em outra coisa, hoje nem lembra mais a cor do cabelo. Você só não esquece o que te fizeram sentir através de palavras. Ficam martelando, insistindo, alfinetando. Criam raiz e viram até árvore grande, cheia de galhos tortos que machucam quem quer que encoste nela. Palavra é vida, mas gera morte também. As palavras quase têm vida própria, eu sempre soube disso, sempre soub
segunda-feira, 20 de junho de 2011
A gente
É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncio e longas conversas. Engraçado que quando a gente para de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo, a achá-lo foda, e quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é DIFERENTE).
Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele pode até esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pastel bem branco (e com muito frango rsrs). Ele não vai fazer declarações românticas todo dia e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de tpm no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.
Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. Da paixão, não. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. Que eu não encontrei alguém que me tire o chão e que me roube o ar, eu encontrei alguém que divide o chão comigo, e que me traz o fôlego de volta. Daqui a uns anos, eu estarei dormindo abraçada sem susto. Vou estar acordando e vendo que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Uma boa parte da minha vida
E tem aquelas pessoas que você aprende a amar apesar de tudo. Momentos que não há tempo que consiga apagar, conversas, sorrisos, conselhos, brigas. Abraços apertados, apertos de mão, olhares de aprovação ou desaprovação. Alguns que se vêem todo dia, outros que não se vêem já faz dias, meses, anos. Momentos que não precisam que sejam para sempre, se eternizar na memória basta, é suficiente. São mãos, braços, olhos, afagos, abraços, carinho. Os melhores e mais bonitos. Que aliás, não amo apesar de tudo, mas sim por causa de tudo. São vocês, meus amigos.
Dedicado a vocês que um dia por mim, foram e são chamados de AMIGOS... mesmo os que estão longe e que nem me consideram mais como tal, só quero que saiba que amigo(a) uma vez, amigo(a) sempre ♥
Dedicado a vocês que um dia por mim, foram e são chamados de AMIGOS... mesmo os que estão longe e que nem me consideram mais como tal, só quero que saiba que amigo(a) uma vez, amigo(a) sempre ♥
terça-feira, 19 de abril de 2011
Viver
Nada melhor que se arriscar. Provar seus limites, saber qual o gostinho e efeitos colaterais que eles têm. Nada melhor que se permitir, deixar que o tempo construa tijolo por tijolo desse edifício de vontades que andam guardadas por aí, sem coragem de se mostrar. Acredito as vezes que uma pequena dose de deboche não faz mal a ninguém, principalmente diante dessa rotina sufocante e tediosa que insiste em querer ganhar espaço onde ninguém quer. Quebrar a cara não dói pra sempre, aprender é mais proveitoso depois. Correr da oportunidade não te faz melhor, nem pior, apenas igual. Creio eu que ser igual anda repugnante aos olhos de quem gosta do novo. Então, que tal uma pitada de coragem? Morrer de amor não dói, viver também não.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Antes de você, eu não entendia as canções, dormia bem todas as noites, não me importava com o tamanho das minhas roupas, esquecia o celular, tinha pensamentos livres e horas vagas. Meu coração era vazio, sem algo certo pra se importar. Eu não tinha febre psicológica, crise emocional, stress acumulado, nem carência afetiva. Não tinha ciúme, ódio, ou pensamentos psicopatas. Eu sempre tinha a razão. Não me importava em dançar na rua, ouvir músicas chatas, não aguentava reclamações, mas não passava mal de rir, não planejava tantas coisas boas, não tinha ninguém pra me explicar piadas. Antes de você eu não morria de saudade, não era tão bem-humorada, não me preocupava em fazer alguém feliz, em cuidar de alguém. Eu não sabia sequer que um abraço curasse tanta dor, que o mundo cabia num sorriso, e que era possível amar uma pessoa tão diferente de mim. A verdade é que antes de você, eu não era eu. Agora eu sei porque você faz tanto sentido.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Sem fim
Com você é tudo tão diferente que às vezes me pego pensando e me perguntando se é de verdade. Me pego, me belisco, sorrio e deixo escapar algum tipo de brilho dos olhos. Sou extremamente boba quando se trata de você, principalmente. Vez em quando me pego pensando em algum tipo de atração magnética que suga toda sua consciência e tira sua capacidade de pensar, todo seu raciocínio. Talvez a fonte disso tudo seja sua maneira de falar, de escrever, sua voz, ou o conjunto completo de você. A conclusão final te digo todos os dias, você me diz que com você é muito mais. Me chama de sua, e eu me arrepio ao te imaginar dizendo ao pé do meu ouvido. Na verdade, sinto arrepios com tudo que seja relacionado ao seu nome, e sabe, não tem como voltar atrás, você me ganhou.
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